sábado, 4 de outubro de 2008

Um poema sem respiração


Um poema tem urgências
Que meus espasmos não contém

Nascer é sua natureza

Como uvas ao sol
O poema escorre, quente, entre os dedos
Sempre que está maduro

Arrancá-lo fora da hora é perder sua pulsação

***

Assustou-se
Saiu das entranhas, mas não foi longe

O poema parou a meio do caminho

Como um estranho bebê
Recusou-se a sair

E eu deixei que morresse
Meu lindo poema
A um passo do oxigênio, preso no cordão

Preso por um fio
O pequeno feto-poema
já não respira

No lugar de uvas, uma seca noz
pende sem vida do meu corpo

***

Encontrei esta foto por acaso no google. A intenção de quem a postou não era a mesma. Mas a foto não podia ser mais oportuna.
Fonte: http://os-caes-ladram-e-a-caravana-passa.weblog.com.pt/arquivo/uvas.jpg

domingo, 28 de setembro de 2008

Bordas duras de um corpo ignorado


Outono. Folhas caem naturalmente das árvores.

***

Nenhuma violência ou artificialidade no ato de despregar-se.
Nenhum grito ou expressão de incômodo.

Caem como se o trajeto ao chão fosse uma evidência indolor.
Ou como se as folhas, tendo pálpebras,
se fechassem diante de um destino inevitável.

Sorrateira e harmoniosamente, as folhas gestam sua despedida.

Como quem borda uma colcha,
preparam o chão para seus frágeis corpos.
Quase inexistentes de tão leves
Mas suas bordas espetam com um fim muito claro:
dar um último e silente grito.

Um último e silente grito.
Antes de se perderem nos metálicos ruídos inumanos

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ajeitando caminhos pra encostar no teu


"Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu (...)"


Chico Buarque. Valsa Brasileira

***

Atraso o relógio pra fazer os tempos coincidirem.

Em nome desta tarefa irrealizável,
distâncias enormes foram percorridas.

Não necessariamente geográficas. Distâncias humanas.
Que, às vezes, impedem dois corpos de se encontrarem no mesmo espaço.

A incomunicabilidade tem um efeito mais terrível
do que múltiplos oceanos de distância.

Surpreendo o sol. Salto noites. Não me refaço.
Morro a cada instante. E nem tenho sete vidas.

Não me arrependo.
É deste ato poético, ingênuo e quase inócuo que precisamos.
Para que a vida se reinstale nas veias.

Porque se a distância é sempre uma medida de afeto, o tempo é um hiato sempre elástico para aqueles que se alimentam de vacúolos a-temporais de amor.

***

A música está postada aqui. Basta clicar no título.

Sobre o tempo da delicadeza


"Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez "

Chico Buarque. Todo o Sentimento

***

A tela é de Gustav Klimt.
Adam and Eve, que está na Österreichishe Galerie.
Eva inacabada. Sem as mãos e quase sem vida.

É preciso consumar o tempo de dois. O átimo de encontro.
Ou consumi-lo. Antes que se perca.
Antes que o tempo da delicadeza só permita rever
aquilo que um dia foi 'tudo' como se tivesse sido 'quase nada'
Última lente possível para visitar, à distância, uma história.

Antes de dizer adeus.

Adam and Eve bem poderia descrever este momento ambíguo.
Este segundo intenso que antecede as rupturas internas.
Onde o sentimento está todo - fruto maduro, imenso
Com todo o líquido que pode conter.
Para, então, dele verter todo o sentimento.
A um passo do trágico e irreversível tempo da delicadeza.


***

A música está no youtube. Basta clicar no título deste post.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Os flocos de neve não são eternos


Meu íntimo ao avesso.

E a cada hora que passa, minha alma congela. Dores como flocos de neve, misturando-se, anônimas, ao chão gelado e escorregadio da minha memória.

A imagem de um banco solitário ao fundo me consola. Em algum momento, as marcas vão desaparecer na neve, como se nunca tivessem existido.

Setembro vai passar. Setembro tem que passar.

Para que os olhos do meu corpo possam de novo ontemplar a paisagem.

E para que uma certeza ajude nos momentos estéreis: a de que flocos de neve não sobrevivem às incontáveis estações.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O que a renda de bilro ensina sobre a vida cotidiana


Pequenos gestos. É com isso que se constrói uma história.

sábado, 16 de agosto de 2008

Amor Listrado


Assustadora a possibilidade de se estar, pra sempre, atrelado a alguém. Como Sylvia e Ted.

Um olhar. E tudo dito na escassez de palavras.

Palavras como peixes que se afogam no ar; a água pra sempre longe do seu alcance.

Colhidas no chão, feito folhas mortas, as palavras já não servem. Sem um corpo vivo, desmancham-se a um passo do sentido. Só que não se pode abortá-las.

Pontiagudas como lascas de maçã, arranham a garganta. Não descem. Vomitá-las também já não é possível.

Mas as palavras são astutas. Têm sabedoria de almoxarifado, como diria Adélia. Liquefazem-se nos olhos, retirando o verniz cotidiano das retinas.

Não importa que o tempo não volte. O amor será para sempre listrado.

***

Na foto, Sylvia Plath e Ted Hughes. Amor conturbado, perene, de retina.

Ode às virtudes espaço-temporais do amor


Esbarrei nele no aeroporto quase por acaso. Seu nome, Andre. Gorz por via austríaca. Se eu já não tivesse seu nome na cabeça e algumas de suas idéias críticas a mão, não teria atentado para o seu amor absoluto. Sinal de que a vida pública de uma pessoa nem sempre deixa traços muito evidentes da ebulição de sentimentos que dentro dela acontece.

Tinha então 84 anos e se suicidou junto com Dorine, que tinha uma doença degenerativa incurável.

As primeiras palavras do livro "Carta a D.", que encontrei por acaso nas prateleiras de uma livraria do Galeão, contorceram-se, dentro de mim, feito molas. Calaram dúvidas antigas sobre a durabilidade de um amor e trouxeram à tona uma certeza: é preciso não deixar para dizer no dia seguinte aquilo que faz sentido hoje.

Quando tudo parece feito de isopor e espuma nos relacionamentos contemporâneos, Gorz vem dizer que há um antidoto contra a efemeridade. Tão antigo quanto o mundo. Tão fértil quanto o chão em que hoje repousa:

"Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

Eu só preciso lhe dizer de novo essas coisas simples antes de abordar questões que, não faz muito tempo, têm me atormentado. Por que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é o que existe de mais importante na minha vida?"


E, voltando nas memórias, como quem busca retratos antigos, revela a gênese das raízes profundas de seu afeto:

"Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. Nós nos doamos inteiramente um ao outro.

Durante as semanas que se seguiram, nos reencontramos quase todas as noites. Você dividiu comigo o velho sofazinho afundado que me servia de cama. Ele tinha apenas sessenta centímetros de largura, e nós dormíamos apertados, um contra o outro. Além do sofazinho, meu quarto só tinha uma estante de livros feita de tábuas e tijolos, uma mesa enorme, atulhada de papéis, uma cadeira e um fogareiro. Você não se espantava com o meu cenobitismo. Também não me espantava que você o aceitasse".

Gorz, A. Carta a D.

***
Amor é quando a gente dorme junto num sofá de 60 cm. E acorda feliz por isto.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma questão de janelas

Clark et Pougnaud. Homenagem a Edward Hopper.

A Serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Adélia Prado. A Serenata.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Imagens interrrompidas


Retomo Sylvia - inspiração necessária para todos os que transformam vida em matéria-prima.

Um verso - e todo um mundo de sensações vem à superfície... Como se este mundo já estivesse ali, à espera de uma porta, pronto a irromper e inundar o espaço concreto e cartesiano das experiências corriqueiras.

Hoje reencontrei Mirror. E, quase por acaso, também, uma bela versão desta poesia para o português.

Sylvia fala com as dores, com o deambular do pensamento, com uma respiração própria que espasma as palavras. Não é fácil traduzi-la. É preciso estar atento ao seu pulso, às metáforas escolhidas, à sua história. À poesia que ela faz com seu corpo, com sua vida, com suas vísceras.
***
A versão em português é de Leila Silva. Um pequeno tesouro para os leitores de Plath.

***

MIRROR

I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see, I swallow immediately.
Just as it is, unmisted by love or dislike
I am not cruel, only truthful –
The eye of a little god, four-cornered.
Most of the time I meditate on the opposite wall.
It is pink, with speckles. I have looked at it so long
I think it is a part of my heart. But it flickers.
Faces and darkness separate us over and over.

Now I am a lake. A woman bends over me.
Searching my reaches for what she really is.
Then she turns to those liars, the candles or the moon.
I see her back, and reflect it faithfully
She rewards me with tears and an agitation of hands.
I am important to her. She comes and goes.
Each morning it is her face that replaces the darkness.
In me she has drowned a young girl, and in me an old woman
Rises toward her day after day, like a terrible fish.

ESPELHO

Sou prata e exato. Eu não prejulgo.
O que vejo engulo de imediato
Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, tão somente veraz —
O olho de um deusinho, de quatro cantos.
O tempo todo reflito sobre a parede em frente.
É rosa, com manchas. Fitei-a tanto
Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.
Faces e escuridão insistem em nos separar.

Agora sou um lago. Uma mulher se inclina para mim,
Buscando em domínios meus o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.
Vejo suas costas e as reflito fielmente.
Ela me paga em choro e agitação de mãos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã sua face reveza com a escuridão.
Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.

Entretelas



Eleven A.M. (1926)
Edward Hopper

***

Hopper diz tudo. Sempre.


segunda-feira, 30 de junho de 2008

Afundando em palavras


Afundo em palavras
Elas distraem teu olho
Que já não sei se me percebe

O tempo é um hiato cruel
erguendo pontes levadiças
entre uma alma que vem e um corpo que espera

Mas sua alma virá mesmo?
Ou ficará comprimida em plástico multicor,
balão de gás que um barbante não segura?

Meus dedos já não alcançam.

A caminho do encontro, o corpo que espera
perdeu-se.
Naufragou em palavras,
até sumir no horizonte.
E, sem corpo, toda alma sente frio.

Palavras pra vestir esta alma. Rápido!
Palavras são necessárias antes que ela perca o pulso.
Uma alma nua não resiste muito tempo.
Mesmo a um olhar absorto como o teu.
***
Afundo em palavras.

quinta-feira, 26 de junho de 2008


"O amante está mais próximo dos deuses do que o amado uma vez que se encontra possesso de um deus"

Fedro em seu discurso no Banquete.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Sobre os ritos, a necessidade de morrer e a urgência de deixar passar


Os ritos são necessários. Para celebrar as coisas que nascem. Para chorar as que morrem.

Os ritos nunca deveriam ser abandonados antes da sua conclusão. Vingam-se no corpo, nele escrevendo toda a história do não-esquecido.

Quem queira entender a dor de uma alma, que se debruce sobre as evidências do corpo que a abriga. Lá estão as marcas ancestrais da palavra engolida.

A palavra nova anda em círculos; só a não-palavra chega onde o terreno é desértico.

Se há uma solidariedade possível, é a do tato - a mais forte e humana das sensações. Solidariedade que investe em desfazer, com dedos de Penélope, os pressentimentos acumulados em um corpo que o tempo colonizou.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sobre a sorte e as escolhas que fazemos


Gabor: I´m going to tell you a story.
Long ago, I lived on the even side of a street, at the number 22.
I gazed at the houses across the street, thinking the people were happier,
their rooms were sunnier, their parties more fun.
But in fact their rooms were darker and smaller
and they, too, gazed across the street.
Because.. We always think that luck is what we don´t have.
I´II wait at the station.
If you don´t show, I´ll know you went.

Adèle: Went where?

Gabor: To see if the other side´s better.

La Fille sur le Pont, de Patrice Leconte.

***

A Mulher e o Atirador de Facas, nome com que ficou conhecido no Brasil, é daqueles filmes que marcam profundamente quem vê. Longe das receitas hollywoodianas de felicidade, La Fille sur le Pont fala sobre as oportunidades, sobre os encontros que podemos lamentavelmente não reconhecer e, sobretudo, sobre a sorte. Não a sorte que uns têm e outros não. Mas aquela que transita diante de nós e que nos convida a mudanças viscerais.

Por isso, Adèle e Gabor são, logo de início, representações dos desencontros cotidianos. Gabor vê Adèle em uma das pontes de Paris e não mede esforços para transformá-la no seu amuleto. Adèle segue Gabor sem grandes resistências. Ninguém a espera. E sem uma direção definida, qualquer caminho é melhor que a imobilidade.

Se Gabor é a irresponsabilidade medida, Adèle é a distração atenta. Atenta para que nenhuma história crie raízes. Talvez por isso ignore a seriedade indecisa de seu parceiro, a oscilar sempre entre embevecido e rigoroso. Gabor observa. Se embriaga com o que vê em Adèle - energia cercada de sorte por todos os lados.

O encontro entre Adèle e Gabor poderia nunca ter acontecido, não estivesse ela a ponto de se lançar no Sena e ele à procura das suicidas de plantão. Sinal de que a sorte pode sugir das situações mais extremas e inusitadas. Se por sorte entendemos, é claro, toda oportunidade de deter o tanto de morte injetado em nossas vidas.

La Fille sur le pont é, portanto, um convite às apostas que nunca fazemos. Fala de encontros improváveis, de trens e rotas inesperados. De desvios que, só em situações limites, imaginamos. Ou, trocando em miúdos, de amores impensáveis que teimam em ganhar forma - como plantas resistentes - no meio do asfalto.

***

Alguns trechos e traillers de La Fille sur le Pont:

Trailler 1:
http://www.youtube.com/watch?v=m0WwIqtkG3Y&feature=related

Trailer 2:
http://www.youtube.com/watch?v=KFvZsTX0fiU&feature=related

Trailer 3:
http://www.youtube.com/watch?v=o2yGEmXIfuk&feature=related

Trailer 4:
http://www.youtube.com/watch?v=5e4I02kLOaw&feature=related

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Conversando com espelhos


"Por mais amores que possamos ter tido, assim como cada um de nós só tem uma maneira de amar, através de tantas pessoas que quisemos tão apaixonadamente conhecer, não terá cada um de nós ainda assim conhecido senão a si mesmo?"

Grimaldi, Nicolas. O ciúme. Estudo sobre o Imaginário Proustiano

terça-feira, 3 de junho de 2008

O tempo da hesitação


"Vc viu as ruas? Há milhares delas.
Como se faz? Como se escolhe só uma?
Uma mulher...uma casa...um pedaço de terra só seu e uma paisagem pra olhar
Um jeito de morrer?
Todo aquele mundo sobre você. Nem sabe como termina (...)
Nasci neste navio.
E o mundo passou por mim. Mas apenas duas mil pessoas por vez (...)

Terra? A terra é um navio grande demais pra mim.
É uma mulher linda demais.
Uma viagem longa demais, um perfume forte demais.
É uma música que não sei fazer".

Mil Novecentos, em a Lenda do Pianista do Mar.

***

Diferente de My Blueberry Nights, A Lenda do Pianista do Mar não é um filme sobre rupturas. Remete a um momento anterior - talvez aquele instante preciso que divide o mundo em mousse de chocolate e torta de mirtilo. Falo aqui da reação mais primitiva e que envolve os encontros humanos: a hesitação.

Todo aquele que hesita conjuga um tempo próprio. O tempo que já foi antes mesmo de ter-se passado - como se estivesse sempre um passo à frente, espalhando sementes estéreis por onde anda. Há, portanto, uma razão para se hesitar: a certeza de chegar sempre tarde, não importa o quão cedo se esteja à porta das coisas. O passado está sempre desenhando, de seu lugar distante, os limites do futuro.

Na tela, Tim Roth está magnífico na pele do menino 1900, que nunca colocou os pés em terra firme. Impossível descrever a precisão do seu olhar, que sempre se congela diante de um ontem que já não se captura com exatidão e de um futuro que teima em envelhecer. É o olhar de quem já não espera. De quem percebe que só a hesitação pode deter o apetite do tempo.

Mas Novecento resiste a seu modo e esboça movimentos. Transborda, de modo silencioso e titubeante, os seus afetos. Tântalo moderno, revive o famoso mito grego - condenado a não sair de sua situação de fome e desejo, enquanto saborosos frutos o convidam a sair da hesitação. Na impossibilidade que se repete tantas vezes - espécie de pressentimento tatuado na alma - 1900 volta para sua terra, que nunca foi firme. Mundo feito de água, de chão inexistente, sempre a moldar-se pela expectativa de poder parar o tempo.

***

O trailler é belíssimo. Basta clicar no título.

My Blueberry Nights


Só quem viu, entende.
***

Para os que não viram, um clique rápido no título.

Para os que entenderam a mensagem, segue o link:

http://www.foriegnmoviesddl.com/2007/12/my-blueberry-nights-2007-kar-wai-wong.html

Uma despedida em conta-gotas


"How do you say goodbye to someone you can´t imagine living without?
I didn´t say goodbye.
I didn´t say anything.
I just walked away".


Lizzie, na despedida que nunca aconteceu. My blueberry Nights.

***

Terrível estado este em que se tem que dizer adeus a distância - distância essa que o coração simplesmente não assimilou.

sábado, 31 de maio de 2008

João Henriques há de me perdoar

Então.

Passeando pelos blogs num sábado ensolarado - o mundo lá fora acontecendo e eu aqui dentro pensando, pensando -, cheguei no João Henriques. Ou, melhor apresentado, no blog "O Crime de Laio".

Peço licença pra colocar aqui uma poesia que encontrei por lá, entre os papéis de João Henriques. Papel de 2007, perto do Natal, já um tanto amarelecido. Era uma poesia de um moço chamado João Dionísio. Bom, do João Dionísio eu falo mais tarde.

«Poema Muito Breve e Muito Raso»

Tenho saudades do chá maçã canela
E da tarte maçã canela
E da tarde em que seguiste os meus passos
E do teu não, também tenho saudades
E da tua respiração quente
Dos teus braços e abraços
Do brilho do teu sorriso
Dente por dente por dentro
E das tuas roupas azuis codificadas
E das tuas gargalhadas nuas
Do teu talento tolhido
Da tua toalha molhada

De nada e de tudo
Dos pés à cabeça,
Tenho saudades tuas,
Tenho saudades tuas
Arre! Tenho saudades tuas!


João M. Dionísio

***

Bom, minha gente. O 'arre' diz tudo.